“Para o ano novo – Eu ainda vivo, eu ainda penso: ainda tenho que viver, pois ainda tenho que pensar. ‘Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum’ [Eu existo, logo penso: eu penso, logo existo]. Hoje, cada um se permite expressar o seu mais caro desejo e pensamento: também eu, então, quero dizer o que desejo para mim mesmo e que pensamento, este ano, me veio primeiramente ao coração -que pensamento deverá ser para mim razão, garantia e doçura de toda a vida que me resta! Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: – assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas. ‘Amor fati’ [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor” Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja ‘desviar o olhar’! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia apenas alguém que diz Sim!“
(Friedrich Nietzsche. Gaia Ciência, São Paulo: Companhia das Letras, 2001)
supostamente escrito em 1 de janeiro de 1882.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
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